GUIA DE LEITURA DE FICCIONES, DE JORGE LUIS BORGES
La Lotería en Babilonia
(Resumo)
Em “La lotería en Babilonia”,
um sorteio que inicia com prêmios pecuniários acaba, no decorrer dos anos,
decidindo sobre a sorte dos homens e de toda a humanidade, mediante sorteios
secretos cuja celebração e sentido ninguém pode conhecer.
A loteria, um jogo de azar,
preenchia o cotidiano das pessoas com uma quota de esperança. Ela determinava a
sorte - felicidade ou desgraça - de cada pessoa; até que os homens alimentaram
esperanças de ganhar. Com o passar do tempo, e por uma série de situações
aparentemente injustas, pareceu necessário estender o acaso à todas as
atividades; então aparece a Companhia, organização de caráter “eclesiástico
e metafísico”, que regula as leis que regem o azar. Desse modo a vida inteira
de Babilônia se organizou ao redor de uma paixão: o risco, a expectativa
diante da sorte longe da ordem de causas e efeitos, de uma conduta coerente de
prêmios e castigos.
No entanto, os babilônios
“devotos da lógica”, com o tempo, aproximaram-se a uma teoria geral dos
jogos que foi complexizando a vida e que colaborou para que a loteria se
sacralizasse.
Como todo jogo de azar, este também é regido pelas leis da probabilidade. Mas, para que essas leis pudessem ser cumpridas e conhecidas pelo homem, requer-se um tempo infinito que o homem não dispõe. O habitante de Babilônia imagina que existe alguém que dita essas leis arbitrárias. Num processo crescente, o azar, que acabaram se entregando com paixão, domina toda a vida, caindo num regime absoluto. Há diversas opções de interpretação: a Companhia é eterna, ou, ao contrário, não existe e nunca existiu, e Babilônia, o universo, é um infinito jogo de azar.