| ano 1 | edição 1 | florianópolis, 5 de março de 2008 |
 
 
       
 
prosaicos

Carência de sorte

Terezinha Almeida Melo Pereira

Um dia, a moça de mais de quarenta resolveu consultar uma cartomante. Havia muito que carecia de sorte. Era pobre de tudo. Sem nada mesmo. Nem família, nem amigos, nem trabalho, nem rezas.

A cartomante vivia cercada de gatos pretos e não cheirava bem. Mas, pedia o pagamento antes de jogar as cartas. Segundo ela, melhorava-lhe a sina. A sortista, ao jogar as cartas, falou de um moço moreno, lindo de morrer, que lhe atravessaria a vida. Podia topar com ele logo na saída ou quando chegasse em casa. Mas que seria em tempo muito próximo.

Não foi na saída nem na chegada. Foi numa esquina, no centro da cidade e ainda estava dia claro. Um moço moreno, não tão lindo, pediu-lhe a bolsa. Ela lhe deu um sorriso. Ele a olhou com desdém, arrancou-lhe a bolsa da mão e foi logo lhe dando um tiro no peito. Fatal. Logo após, fugiu com uma bolsa puída, vazia de tudo.

A autora

Terezinha Almeida Melo Pereira, licenciada em Português pela UFMG, pós-graduada em EaD. Reside atualmente em Pará de Minas e mantêm algumas páginas na internet onde publica seus textos. Contato: terezapereira@nwm.com.br.

 
       
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