| | ano 1 | edição 1 | florianópolis, 5 de março de 2008 | | |||||||||||||||||||||
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Pausa: termo latino que designa uma paragem ou uma interrupção momentânea de sons, movimentos, ações ou discursos. Uma pessoa assiste a um dvd, o telefone toca: pausa – a imagem paralisada, em estado de dormência, aguarda o acionamento do mecanismo que permitirá sua continuidade. Esse entretempo da imagem e do som é como um tempo em suspenso – “nada acontece”. Um recomeço aguarda o telespectador, e isso só é possível porque, escondida e silenciosa, a maquinaria do aparelho continua em rotação. Toda sua engrenagem trabalha para que a pausa aconteça e se mantenha, indefinidamente. A pausa é, simultaneamente, repouso e movimento. Pausa : jornal para ser lido nos intervalos – sentado num café, o momento às vezes demorado da espera; dentro do ônibus, lugar de passagem; nos momentos de ócio, quando nada resta a se fazer. Suspensão momentânea da corrente do mundo – suspensão que se abre para outros mundos. As pausas: jornal mais de escrita que de informação. A busca de uma linguagem que se fale no espaço de um intervalo – nada se pretende fundar, apenas interromper. Nada contra os recursos cibernéticos, quase ilimitados, mas tentar o infinito nos limites do papel. A opção pelo jornal: crença na autonomia da palavra impressa, a possibilidade de distribuir os jornais pela cidade como cartas certeiras a um destinatário desconhecido – um leitor qualquer. Permitir-lhe que pegue, dobre, amasse e rasgue o papel; permitir-lhe que o leve para lugares insondáveis... A importância do contato manual: passar de mão em mão. (Uma pessoa, sentada num café, espera alguém. Distraída em relação ao espaço ao redor, tem sobre a mesa um jornal pelo qual passa os olhos – não questiona, não se lembra que espera nem o que espera, apenas lê; toca o telefone, ela se sobressalta: pausa: um mecanismo impalpável qualquer interrompe o fluxo descontínuo da leitura – é como se as palavras dormissem. A conversa termina e, coincidentemente, a pessoa aguardada chega; ambos se vão, deixando o jornal sobre a mesa; a leitura, inacabada. As palavras continuam em repouso, aguardando o momento em que o movimento pulsante da vida as colocará em contato com um novo leitor. Se essa leitura terá começo ou fim, pouco importa – a leitura é sempre um exercício de pausa). |
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| universidade federal de santa catarina | centro de comunicação e expressão | departamento de língua e literatura vernáculas | |||||||||||||||||||||